to go away and dream it all up again

 

este post tem várias partes e eu juro que tentei que ele fizesse sentido.

um.
este ano começou comigo no sítio onde achava que sempre iria querer estar, há oito anos que a ideia que se formava na minha cabeça sobre o meu futuro acabava ali. e quando lá cheguei percebi quase imediatamente: não quero ter nada a ver com isto. o que acontece quando chegas a onde sempre quiseste chegar e de repente, nada daquilo era o que achavas que ia ser? não sei, eu fugi para o sul de espanha. três meses de sol, tapas e san miguel. a pensar que quando voltasse arranjaria um plano qualquer, quando voltasse a coisa havia de se resolver. e quando voltei o que me recebeu foi um murro no estômago. sou muito caseirinha, por muito que adore viajar, não o adoro mais do que voltar a casa, do que estar em casa. e quando acabas de voltar, dizerem-te que vais ter de sair outra vez é tão frustrante. o verão foi de manutenção, e no fundo foi a melhor resposta às dúvidas e confusões todas: é o estar neste país a ir aqui e ali atrás desta e daquela banda, com os amigos, os almoços de família, a bifana, a super bock, é isto que eu quero que seja a minha vida. pelo menos por enquanto. só que… isso não é um emprego, tecas, sai lá do filme. e então cheguei a hamburgo, e desde então que tenho tentado arranjar soluções. só que falho sempre, porque estou longe, porque estou sozinha, porque não tento criar o suficiente, porque nunca acredito o suficiente.

é irritante. dantes a meta era super simples, não era sonho – não tenho disso -, era só o sítio onde queria chegar. cheguei, e desde que lá cheguei que só quero fugir a sete pés. não é medo, é quase nojo. eu não quero contribuir para a mediocridade, se for para escrever sobre música que seja de forma decente e justa. teria de fazer algo melhor do que já existe, mas nem sei como, e não acredito que seja capaz. talvez seja conformismo, talvez seja realismo. não sei. se calhar o melhor era fazer outra coisa qualquer. mas o quê? não sei.

dois.
este ano – este mês – faz 25 anos que saiu o achtung baby.

600

antes das aulas de história o que eu conhecia de berlim conhecia por causa do achtung baby: hansa studios, o muro, a potsdamer platz, os trabis, a zoo(logischer garten) station. as fotografias e os vídeos do anton corbijn ou aquela estátua no vídeo da stay (esse do wim wenders), já na era zooropa. a cidade sempre foi cinzenta, fria e meio destruída na minha cabeça, porque foi assim que me tinha sido mostrada desde muito cedo.

berlim era hansa studios, hansa studios era one, one era achtung baby. hansa studios porque o herói bowie e o herói iggy tinham andado por lá. one porque no pós-rattle and hum as dúvidas eram muitas e a direcção a seguir difícil de encontrar, porque no meio de tanta confusão interna veio uma sequência de acordes do meio do nada e do meio do nada – ou, melhor, do meio daquele salão – nasceu a canção que salvou tudo. achtung baby porque foi aí que a maior banda do mundo se tornou na melhor, porque ninguém se reinventa assim.

berlim era o sítio onde a banda da minha vida se salvou, onde o bowie fez a canção que já nos salvou a todos one way or another. berlim era onde os heróis se iam reinventar.
nas aulas de história, berlim era o horror do nazismo (ou alt-right, como se diz hoje em dia?), a destruição da guerra, a separação do muro. berlim era os memoriais pelas vítimas do passado, a união e a liberdade, o discurso do jfk, a esperança na europa unida.

três.
se estou quase a voltar para casa e continuo sem saber para onde me virar, se o mundo parece empenhado em voltar a ser aquele sítio negro e frio e assustador, talvez berlim seja um sítio bom para ir passar uns dias. eu sei que não vou encontrar a resposta para ao meu existencialismo escondida num recanto do salão do hansa studios, mas parece-me apropriado todo este simbolismo para acabar com esta montanha russa de ano.

quatro.
no último concerto da era joshua tree/rattle and hum, perante tanta conversa sobre o futuro da banda, o bono disse que não era o fim dos U2: “we just need to go away and dream it all up again“.

 

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One thought on “to go away and dream it all up again

  1. D<quilo que vejo, tu queres aquilo que todos os grandes escritores, ou pintores, ou artitas ou lá o que seja, quiseram e fizeram: fazer o que gostas com honestidade. O mundo que se adapte a ti, Teresa, e não o contrário. Um dia chegas a um lugar onde vais querer estar. Beijinhos.

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