reeperbahn festival 16

alas, o swsx europeu. ou pelo menos é o que dizem, eu não sei, nunca fui a austin. eles dizem que são mais de 450 concertos em mais de 70 salas. depois há as conferências (mais de 230) e os eventos extra música como exposições, filmes, etc. tudo isto dura 4 dias e passa-se maioritariamente no famoso reeperbahn – o red light district aqui do sítio.

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atentem pf em como tive direito a cedilha :))

é tudo um bocado overwhelming. uma pessoa que não conhece a zona perde-se facilmente (zero indicações. carai, até o bons sons que só tem 8 palcos e acontece numa aldeia tem setinhas para os sítios!), e depois claro que a maior parte das salas enche cedo facilmente e claro que acontece tudo ao mesmo tempo. o bilhete diário só para os concertos custa 45€, o que é barato para esta gente, também porque a grande maioria das bandas, como devem imaginar, são ilustres desconhecidos.

tive acesso completo ao festival, ou seja, fui como vão as pessoas do business: fitinha ao pescoço a identificar e tal e coiso. há mil e uma sessões de “networking” e muitas conferências sobre dinheiro (os títulos são diferentes mas no fundo vai tudo dar ao mesmo, não é migz?), mas eu só usei o meu privilégio de “delegada” para duas sessões.

a primeira foi a da jessica hopper. ex-editor in chief da pitchfork review. porquê ex? porque descobriu que recebia bem menos do que os homens que trabalhavam para ela. está nisto desde os 15 anos, quando começou uma fanzine dedicada à cena punk do Minnesota, de onde é. hoje é editora da mtv news. há coisa de um ano foi convidada a falar no bigsound e por causa disso lançou umas perguntas no twitter que provocaram uma discussão assustadora, mas necessária. recomendo qualquer pessoa a ver esse keynote (aqui).

Sometime in the gulf between Beatlemania and Beibermania we’ve lost sight of the enduring capacity that young women have to anticipate, sustain, and add cultural value to the experience of music. The term ‘fangirl’ tends to be a pejorative form, it’s associated with a somehow lesser experience of music. As if teen girls in all their riotous enthusiasm are simply undermining the point. As if artists are made less important by that fangirl excitement, which is reduced and delegitimize as hysterical or silly or – worst of all – stupid. Their interest is assumed to be based on the glimmering surfaces, or their attraction to the artist, rather than what they actually get from the music, or the concerts, or the fan communities that they are part of. Their interest is seen as an adoration that spoils the credibility of the artist that they love. Yet, teen girls make the biggest market of music consumers in the world today. According to a study by the Parks Associates women are not only one half of the world’s population but they also consume more music than men. So the question then remains: why doesn’t music culture at large, from the labels, to the publications, to the tech industry, production studios, live concert venues… why aren’t these places taking fangirls seriously? Why do women in music, still in 2015 a full 63 years since Big Mama Thornton recorded ‘Hound Dog’, one of our earliest rock and roll songs, why do women feel like they don’t belong here?

deu para trocar palavras no final o que me deixou muito contente sobretudo pelo facto de ter conseguido não me engasgar. foi uma maneira fixe de começar o festival.

a segunda foi a do tony visconti. deviam saber quem é mas se não sabem basta dizer que é o tipo que produziu grande parte dos discos de bowie e de t-rex e depois trabalhou com uma data de gente tipo u2, sparks, paul mccartney, thin lizzy, kaiser chiefs (só malta fixe, portanto). foi uma bela entrevista do steve blame, e visconti falou de tudo o que se esperava, ou seja, maioritariamente sobre marc bolan e david bowie. houve muitas histórias encantadoras e engraçadas (a que envolvia o bowie, o lennon, ele e o mccartney foi a mais fixe), mas era sempre heartbreaking quando tinha de corrigir o tempo verbal a falar do bowie. “He loves musical- he – he loved musical theatre” 😦

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tony visconti + steve blame

e concertos?
no primeiro dia vi o final de alex vargas (e gostei) no docks, uma sala que tem ar de clube normal na fachada e depois é uma coisa com proporções de ginásio lá da escola. houve blossoms (muito bom) por lá também. no imperial theater – um teatro com um cenário de um interior de um castelo, com escadas e quadros nas paredes – fui surpreendida por KEOMA (melhores quando ela canta, mas sempre interessantes). até que chegou a altura de entrar no mítico molotow para ver os the hunna partirem tudo. foi do bom.

no segundo vi maioritariamente tugas no pooca bar. primeiro a surma a ser maravilhosa, depois we bless this mess a ser tão encantador como engraçado e no final first breath after coma a deitarem aquilo tudo abaixo. pelo meio dei um salto ao docks – demasiado tempo num espaço pequeno cheio de gente obrigou-me a procurar um sítio mais respirável – e deixei-me levar pela fofura do jamie lawson (wasn’t expecting that, at all :v). por gostar tanto daquela sala resolvi abrir a app do festival e consultar o programa do docks para o dia seguinte. e apareceu-me lá biffy clyro. e o meu primeiro pensamento foi “oh, um erro. devem ter vindo o ano passado ou assim, se viessem este ano eu sabia. claro que sabia”. (para contextualizar: estive semanas a estudar o cartaz do reeperbahn + adoro biffy). depois abri o link e ohmeudeus surprise set??? tinha sido anunciado naquela tarde. portanto, biffy clyro, no docks, dali a 24h. depois de os perder no alive por duas vezes. okay, #respiratecas.
dei um salto ao molotow para apanhar um pouco de yak mas a fila era enorme, o que me tirou a vontade sequer de tentar sair cedo de FBAC para apanhar spring king. e FBAC nem mereciam que eu saísse, foi concertaço. Leiria represent!!

no terceiro vi holy holy – não a banda do visconti, infelizmente, são uns australianos meio country – e poor nameless boy, duas coisas aturáveis. segui para o bunker – sim, o bunker da segunda guerra mundial que agora é loja de música e sala de concertos e mais uma data de coisas, normal – ver tiger lou. aparentemente por aqui são grande cena e “voltaram” agora e havia gente muito emosh no público, para mim foi só fixe. o que eu queria mesmo ver era jagwar ma e isso sim, foi #dartudo. mas um dar tudo muito controlado… é que logo a seguir fui para a fila para o docks, aturei o final do alemão maxim (nah) e depois esperei tipo velhinha do tony carreira – lá na frente, de mão na grade – pelos escoceses mai lindos (a seguir ao mcgregor, sim, tá bem…). como devem imaginar foi fantabulástico e agora que vos escrevo isto já estou na posse de bilhetes para os rever, primeiro aqui em novembro, depois em portugal em janeiro. são lindes. mon the biff. etc.

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biffy clyro

e pronto, foi assim o reeperbahn da tecas. acima de tudo foi muito fixe ver portugueses representados e perceber que não estamos nada abaixo das restantes ofertas. vi ingleses, holandeses, australianos, canadianos, alemães, escoceses, suecos… a tuga tem gente capaz de entrar neste circuito na boa, e nem acho que tenhamos sido representados pelo best of, se me entendem. foi óptimo presságio para o que poderá vir a acontecer no eurosonic, e até num pós-eurosonic. e btw, o reeperbahn também tem country focus 😉

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