pós-mêda

Voltei para a sétima edição porque o cartaz estava demasiado bom e no ano passado tinha lá conhecido um cão muita fixe.
E pessoas também, vá.

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No primeiro dia ouvi pela primeira vez os Flying Cages e gostei. Achei o moço demasiado colado ao Alex Turner mas as músicas não eram más, e mais do que isso, não eram tão coladas a outra coisa qualquer. Foi fixe, mas eu queria mesmo era ver Oioai. Já tinha aqui falado sobre isso, passei 90% do meu verão de 2007 a ouvir o primeiro disco de Oioai. Vi-os duas vezes, uma delas num mini festival numa aldeia perto de Alcobaça. Tinha 13 anos. Não preciso de dizer o quão incrível foi voltar a ouvir aquelas músicas ao vivo. Mas o concerto foi mesmo muito bom, as coisas novas prometem e nota-se que havia ali muitas ganas de voltar a tocar, não é regresso nostálgico é regresso para voltar a partir tudo. Ou pelo menos foi o que me pareceu. Ainda deu para voltar a ouvir a “Deves Estar a Chegar”, tudo óptimo. Depois houve PAUS e eu ainda não tinha visto PAUS com o novo disco e pareceu-me faltar qualquer coisa, não sei se foi pelo som se pelo set em si mas aquela força de um gig de PAUS pareceu estar uns furinhos abaixo. Mas só mesmo uns furinhos, porque foi um excelente concerto ainda assim, eu é que ainda tinha a noite no Musicbox do ano passado na cabeça.

Dia seguinte, já com possibilidade de passar no parque à tarde. Há montes de criançada no parque infantil a fazer escalada e slide e tiro com arco, e depois há a juventude sentada e deitada na relva a ouvir o S. Pedro (ok eu só tinha ouvido a “CBDV” e fiquei irritada comigo mesma por ainda não ter ouvido o disco todo porque adorei tudo ali) e os Birds Are Indie (outros que nunca tinha visto ao vivo mas que já andava a seguir há uns tempos e que maravilha que fofura de concerto). À noite houve Granada, que foi a única banda do festival de que não gostei – tudo demasiado tudo ao mesmo tempo tudo com muita pressa, não há necessidade – e Lemon Lovers! Estava mesmo curiosa para os ouvir porque sei que eles têm andado quase mais lá por fora do que por cá, o que é curioso. Gostei, talvez tenha sido o contraste com as outras bandas da noite, mas só os achei mais desligados do que o resto da malta, de resto, musicalmente, agradou. Sobre Salto sou suspeita porque gosto muito deles e gosto muito do disco, só tive pena que o público não conhecesse/estivesse muito interessado. Eu sei que o facto de não tocarem nada do primeiro disco não ajuda (o tipo ao meu lado passou o tempo todo a pedir a “Deixar Cair”) mas este está tão bom que merecia mais atenção.

No último dia cheguei ao parque já no final do Luís Severo, não me queixo porque já o vi e seguramente voltarei a vê-lo uma data de vezes por Lisboa. Mas Duquesa surpreendeu. O EP rodou bastante por aqui mas ainda não tinha visto ao vivo e, mesmo sem banda, deu show. Her Name Was Fire, já lá em baixo, à noite, aqueceram bem o recinto – belo duo sim senhora. Bed Legs foram uma óptima surpresa, principalmente pela voz do moço e pela postura, dado o pouco e desinteressado público. Mas Orelha Negra, amigos. Que lavagem de alma de concerto. Esperava muito e superaram tudo. Incrível. Final perfeito.

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Orelha Negra

É impossível apontar problemas a um festival totalmente gratuito, tão longe de tudo, que põe a cidade e a região no mapa, junta a malta da terra para ajudar no que é preciso, e faz estes milagres. Sim, porque quando andam pela Mêda a ideia dos nomes que por aqui já passaram no festival soa a história de ficção científica. Se para mim, numa cidade do Litoral e a uma hora de Lisboa já me soa impensável ter nomes destes na minha terra, imagino o que não será para as pessoas desta zona. E depois vejo o tipo ao meu lado em PAUS, vestido a rigor, que entre músicas berrava o nome de cada um deles, incrédulo a agarrar a baqueta do Hélio no final do concerto, com o pai a vir perguntar se ele conseguiu logo a seguir. Ou a miúda em Orelha Negra que no início do concerto apontava para o STK do nada e só dizia “ele está ali! ali! o Sam The Kid está ali!!”. A importância destes pequenos milagres não pode ser ignorada, isto é mais do que um evento cultural para a juventude no interior, como um presidente da câmara poderá dizer, isto é uma pequena prova de que estes milagres acontecem quando há pessoas que trabalham para que eles aconteçam e, mais importante ainda, acreditam que podem acontecer. O slogan do maior festival de verão do país este ano dizia que o sonho é real, pois então eu concordo, mas acho que ele está aqui, a 384km do passeio marítimo de algés. É que não dá para saírem da Santa Cruz a acreditar em impossíveis.

Salvé, Mêda +!

 

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