spé boque spé roque

aqui vai o relato possível do sbsr.
Antes de mais, esclarecer que eu não sou festivaleira. Vou a festivais por concertos e nem sei o que é “o ambiente” de um festival. Mas julgo que será aquela coisa de bandos de pessoas bêbadas sem interesse nos concertos que só querem, lá está, desfrutar do “ambiente”. Pois então se é isso, meus amigos, ainda bem que este sbsr não teve ambiente. Deve ser sido por essa falta de povo, coroas de flores e selfie-sticks que gostei tanto deste super bock. Deu para ver óptimos concertos, os quatro palcos estavam próximos uns dos outros e três deles tinham opção de lugares sentados. Junte-se a isso o fácil acesso, o reforço de transportes e as casa-de-banho decentes e está criado o único ambiente de que eu preciso. A acústica do pavilhão atlântico tem vários problemas e o palco no pavilhão de portugal também teve alguns problemas de eco mas, de resto, não me lembro de mais pontos negativos.

AH. Mentira! A zona vip nos palcos super bock e edp, que está vazia a maioria do tempo e obriga os fãs e o pessoal que vai, de facto, viver o concerto a ficar mais longe do palco só porque uns marmanjos são very important. Num pavilhão atlântico com tanto camarote, era mesmo preciso isto? E num palco edp onde só tocam coisas que os vips não conhecem? Xunga. (Vá, os vips não são ignorantes de mau gosto, são pessoas como nós. Ah não espera, não são nada como nós, são vips -_-) E digo isto mesmo tendo tido acesso à zona vip no último dia, não me vão chamar de ressabiada, ou assim…

Portanto, dia 15 esperei duas horas pelo senhor Gallagher no aeroporto, falei com o moço, dei-lhe uma mixtape de nova música portuguesa. O que é que ele disse? isto: «yes», «really?», «we’ll see what your taste is like then», «d’yer want a selfie?», «yes but i’m in a rush», «yes!»
estão a ver o grumpy cat? pronto, o noel gallagher é o grumpy cat em pessoa.

vou só deixar isto aqui outra vez.
vou só deixar isto aqui outra vez.

16 de julho de 2015
Milky Chance, The Vaccines, Noel Gallagher’s High Flying Birds, Sting, Madeon, Mirror People

CKCCnLPWIAA65mv

Chegou-se por volta do meio-dia ao parque das nações, fez-se a ronda de conhecimento do recinto, abancou-se à sombra na fila. Éramos poucos, às tantas tivemos de mudar de lugar, mas houve sempre sombra e organização, que são duas coisas que nem sempre se tem a sorte de conseguir nestas aventuras de frontline em festivais. Um bocado depois das 15h lá fizemos todos parte do circo da correria. É óbvio que dispenso horas de espera e correrias parvas a atravessar recintos de festivais, mas eu tenho pouco mais de metro e meio e o Noel também não é muito mais alto, se não fosse ali não o ia ver. Estou a brincar, mas call me what you want, estar lá à frente é outra coisa, e ninguém me tira aquela masterplan. Mas isso é mais lá para a frente, onde é que nós íamos? Ah sim, chegámos ao fresquinho pavilhão atlântico e conseguimos lugar mesmo onde queríamos. Só umas 3h depois é que a música começou, com os Milky Chance. Nada de especial, mas mais tolerável do que estava à espera (a “Stolen Dance” foi das músicas que mais me irritou o ano passado). A guitarra de um e a electrónica do outro até que não funcionam mal mas a voz dele torna-se enfadonha, e depois as músicas parecem que fazem todas parte do mesmo loop.


«Oh god, oh god, oh god, oh god, oh god, oh god, oh god they’re gonna eat me up for breakfast!!» The Vaccines, há melhor maneira de começar um concerto? Ahh, agora sim. Não sei por que é que nunca lhes dei mais atenção, se pelos vistos até sei a maioria dos refrões? Gostei muito do concerto. Lembram-me os “meus” Kaiser Chiefs, com menos energia e um toque mais 80’s do que 00’s. Passou a correr mas passou-se muita bem.

O concerto de Noel Gallagher’s High Flying Birds passou menos a correr mas ainda assim foi rápido demais. É difícil falar dele, é daqueles concertos com os quais sonhava há muitos anos e quando chega não há muito a dizer. Vou acompanhando os livestreams e as setlists e o Noel nunca sai muito do guião, não há nada de muito surpreendente a acontecer. O que me surpreendeu, sim, foi a reacção do público. Não esperava que houvesse pessoal a cantar tanto as cenas de NGHFB, pensei que a juventude só se fosse mesmo manifestar nas canções de Oasis. Óbvio que aí (“Champagne Supernova”, “Digsy’s Dinner”, “The Masterplan” e “Don’t Look Back In Anger”) houve uma reacção muito maior, mas na “Everybody’s On The Run” ou na “Lock All The Doors” também me pareceu haver algum (não muito) entusiasmo. Nunca entendi por que é que este país nunca se deu com algumas lendas britânicas (os Oasis serão o nome maior, mas o Johnny Marr e o Paul Weller, por exemplo, também podiam cá vir tocar que ninguém ia reparar…). Pelo meio houve sorrisos, piscar de olhos (sou fangirl, sim, deixem-me), conversas sobre a mixtape («I haven’t listened to it yet, where’s the fucking CD player? no one has them anymore!») e uma Masterplan dedicada às duas miúdas que lhe tinham dado o presente no dia anterior. Sou capaz de ter chorado um bocadinho. #VocêsSabemLá há quantos anos eu sonhava em poder ouvir aquelas músicas ao vivo, ou o quanto eu venero aquele piqueno génio… mas “The Masterplan” seguida de “Don’t Look Back In Anger” foi chorar rios e depois berrar montanhas (isto não deve fazer muito sentido, mas imaginem uma montanha muito grande aos gritos, deve fazer bué barulho, não? é isso que quero dizer).

O velho Sting vimos já do segundo balcão, a tratar de descansar o corpo. O xôr Gordon está igual, até usa a mesma roupa e o mesmo baixo, mas ah e tal tem barba agora, ui! nah. Estava curiosa para ouvir as tais coisas dele a solo que tanta gente gaba mas não ouvi nada. Só ouvi Police (and I love me some Police), e os greatest hits, só De Do Do Dos e Desert Rose yolé yolé… a sério?! Primeiro, se era para tocar Police trazias pelo menos o Copeland, e segundo, os teus êxitos a solo são um bocado seca. Mas okay, o povo ficou todo louco porque pôde cantar todas. (Já agora, qual é esta nova trend de considerar grandes concertos os concertos em que o povo canta muito e maus concertos aqueles em que o povo não abre a guela? Estou fora, não entendo e acho um bocadinho ridículo). Ficámos para o Madeon mais por dor de pernas do que outra coisa, mas aquilo tornou-se um bocadinho demasiado, por isso ainda demos um salto ao Palco Calsberg para ver um pouquinho do show de Mirror People até ser hora de ir apanhar o comboio.

17 de julho de 2015
Isaura, Benjamin Clementine, Kindness, White Haus, The Drums, Da Chick, Savages, Sérgio Godinho & Jorge Palma, Best Youth, Bombay Bicycle Club, dEUS, Blur

Dia muito mais tranquilo e relaxado, deu para visitar os palcos todos e tal. Começou com a bela Isaura no palco edp, que me pareceu muito mais à vontade e soa tão melhor com banda. Houve uma claríssima evolução desde o concerto no Musicbox desta miúda que é quem mais tem conseguido aproveitar tudo o que o Tradiio tem para oferecer. Seguiu-se Benjamin Clementine que foi provavelmente a grande surpresa de todo o festival. Era o nome mais “fora” do cartaz, musicalmente falando, e tem uma voz e presença incrível. Ando a recomendá-lo a torto e a direito desde que de lá vim, por isso façam favor. Dei um salto à festa de Kindness mas fui rapidamente para uma outra festa, com White Haus, naquela que foi a primeira visita ao meu palco favorito do sbsr: o Antena 3. De The Drums vi só o início, mas do que vi gostei bastante. Da Chick foi festa do início ao fim, Savages foi incrível enquanto lá estive, mas tive de correr para ver um pouquinho de Sérgio Godinho & Jorge Palma, que estavam em grande.

Doeu sair de um concerto daqueles num PA meio vazio, mas doeu mais ver que estava muito pouca gente para receber os Best Youth no palco antena 3. Ainda não os tinha conseguido apanhar ao vivo e o Highway Moon é dos meus discos favoritos deste ano por isso fiz questão de estar presente o máximo de tempo possível. Gostei muito do que vi, mas tive de sair um bocadinho mais cedo porque os Bombay Bicycle Club estavam lá do outro lado. E que show, amigos! Uma das razões que me faz não ser fã de festivais: o terrível sentimento de ter de perder bocados de concertos porque há outro a começar e etc e tal. Por querer um lugar fixe no balcão para dEUS e Blur (a idade já pesa :v), tive de sair de Bombay um bocado antes de acabar. Ou seja, foram quatro os concertos que queria muito ver e dos quais acabei por só ver bocados. Aprendi a lição para o dia seguinte. dEUS, que dizer? Estava super curiosa para os ver, cresci a ler muito sobre eles e o quanto passam por cá. Não fiquei desiludida, o concerto foi muito bom, o público é que só queria Blur e nem se mexia. (Queixo-me eu, que estava sentadinha no balcão…)

Sobre Blur nem sei bem que vos diga, desde o momento em que o Damon pisa o palco que se fica com a sensação de que algo fantabulástico está para a acontecer. Não sei se é ele que nos engana a todos ou se a coisa acontece mesmo, mas eu caí que nem um patinho e adorei do início ao fim. Fim, esse, que só chegou já eram 3h. E eu nem reparei que perdi o comboio. Ficar até às 5h à espera do próximo? It really really really could happen -_-

18 de julho de 2015
Modernos, Márcia, Thunder & Co, D’Alva, We Trust, F.F.S, Florence + The Machine

Enquanto esperávamos cá fora cruzámos-nos com uns tipos… um Russel e um Ron, irmãos, norte-americanos. Idk, uns tais de Sparks?

11774370_860264284009947_266611201_n

Modernos foram os Modernos os mesmos de sempre os sempre de mesmos. wait, what?

Entre Modernos e Márcia aconteceram cenas: dei um saltinho às portas do stand da 3 para o André Tentugal me assinar o Everyday Heroes (yaay!), demos um salto a um sítio para tirar uma fotografia e ganhar um passatempo, que nos deu o tal acesso à jaula vip. Eu explico-vos: queríamos todos muito ver FFS porque a modos que gostamos muito de Franz Ferdinand, e sempre os vimos lá na frente, mas este dia de sbsr estava demasiado bom para ficarmos na frontline all day. Esta coisa do passatempo acabou por ser uma excelente maneira de ter o best of both worlds, really.

Márcia! Finalmente a vi ao vivo, apesar de só um bocado e de sentada lá atrás. Gostei muito como gosto muito dos discos dela. Pena ter perdido aquela que é provavelmente a minha música favorita dela (a “Menina”, com o Samuel Úria), mas estava muito curiosa para ver Thunder & Co no palco mais fixe. E que fixe que foi! Têm das canções de que gosto mais de ouvir na 3 (“Apples” e “O.N.O”) e ao vivo não perdem nada (tenho sempre medo que estas coisas mais electrónicas depois ao vivo sejam só press play ou então fiquem estranhas, idk?). Tive de sair mais cedo para ir levantar o prémio do passatempo mas a partir daí jurei não andar a perder mais bocados de concertos. Ou Palma Violets e Unknown Mortal Orchestra ou D’Alva e We Trust ou Rodrigo Amarante e Crystal Fighters. Haveria multiplos argumentos para todas as duplas, e sim eu gosto muito de UMO e sim é o Rodrigo Amarante (!!!!) e etc eu sei, amigos, eu sei. Mas D’Alva e We Trust? Dizem-me muito mais, acompanho-os há mais tempo e queria muito mais estar lá naquele momento. Isto de ver bandas crescer e depois poder lá estar quando tocam num grande festival dá-me um feeling um bocado maternalista de “awwwwn, olha para eles tão crescidos”. Enquanto transitava de um palco para o outro cruzei-me com um moço. Um moço chamado Nick McCarthy (quando escrevi sobre o Paredes o ano passado falei de ter quase conversas com as pessoas em palco, adivinhem com quem foram, pois).

CKOdJIbWIAAFfiM

D’Alva teve provavelmente a maior enchente do palco antena 3 durante todo o festival e aproveitaram isso da melhor maneira, como sempre sabem tão bem fazer. Festa até ao fim. Paletes de diversão. Crowdsurfs e tudo. We Trust começaram com muito pouca gente mas foram ganhando atenção. Estava muito curiosa para ouvir as do novo disco (houve “Wait Or Love” ❤ mas faltou a “Feel It” booo :c). Sinto que o disco é muito melhor do que aquilo que tem sido feito dele, e espero que eles tenham oportunidade de mostrar isso mais vezes. Also, houve um nod a Oasis o que é sempre bom. No final corri para a tal jaula do pavilhão e já os Franz Ferdinand & Sparks cantarolavam a “Man Without a Tan”.

Eu nem tinha ligado muito ao disco, acho que só conhecia a “Piss Off”, a “Police Encounters” e a “Call Girl”, mas que concerto??! Não só combinam na perfeição como todo o elemento teatral da coisa fica top?! Also, o Ron é o mais fixe. E o Nick, que viu a jaula ocupada por 6 super entusiastas (nós) e mais dois ou três gatos pingados – alguns sentados (a sério) – e apelou à revolución. Dito e feito, muita gente salta as barreiras e, num momento mágico, vips e plebeus fundem-se no mesmo espaço. Marx choraria de emoção. Eu continuei a dançar e a adorar o concerto de FFS. Tanto que quando chegou a hora de Florence + The Machine o meu corpo rendeu-se novamente ao balcão.

CKPmIdxW8AA2zgm

Ahhh, Flo! ❤ Aquele Lungs marcou o meu liceu como poucos. E o mais engraçado é que eu nem liguei (ou pensava que não tinha ligado) muito ao que veio depois disso. Mas a verdade é que dei por mim não só a cantar a maioria das canções como a emocionar-me muitas vezes, fosse com as de sempre (a “Rabbit Heart”! como poderia eu esquecer a “Rabit Heart”! E a “Drumming Song”?! Perdoa-me, Florence!) fosse com as novas (aquele “I’m gonna be free and I’m gonna be fine” da “Delilah” bateu especialmente), fosse com a voz dela… A “Dog Days Are Over” para mim é especialmente especial (sim, duas vezes a mesma palavra, toma!) e foi o final perfeito para este sbsr incrível. Ah e tal houve encore, eu sei, mas tinha mesmo de apanhar o comboio.

Advertisement

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s