sete de fevereiro

ainda me lembro demasiado bem do dia em que voltei. lembro-me de como mal dormi, de como me levantei às 5 da manhã e pouco depois me estava a despedir da Flori, da Ana e do Bassel, de como o Bugra foi ter comigo e me ajudou a levar a mala grande e meio partida até à estação de comboios, de como a mala chegou ainda mais partida ao comboio, de como estava o Adriático naquela manhã, de como a Ana só dizia como era triste voltar para Portugal e de como eu ora queria chorar por deixar Trieste ora queria chorar porque ia finalmente voltar a Portugal, de como a viagem de comboio nunca mais acabava e eu não conseguia dormir, de como foi difícil levar as duas malas até à paragem de autocarro em Veneza, do quão pequeno é o aeroporto de Veneza, da cara da senhora do check-in a olhar para a minha mala enorme partida, ou da cara da Ana quando viu que tinha a mala cheia de livros, da espera pelo avião, do casal de triestinos que iam no mesmo voo que nós, da espera no autocarro que nos ia levar ao avião, da festa que fiz por irmos no Eça de Queiroz, e de como me senti quando me apercebi que ia poder contar isso ao meu pai dali a umas horas, do sorriso incontrolável que saiu quando ouvi a hospedeira da TAP dizer-me “bom dia”, de como passámos o voo a conversar sobre os últimos dias e as últimas festas e as últimas parvoíces, de filmar a Ana a fazer o mais épico social beer game: a beber sagres sobrevoando a Europa, da frustração que foi darem-nos massa, do cansaço que me caiu em cima quando me sentei no autocarro para o terminal, da caminhada imensa à procura das malas, do re-encontro com o casal triestino que nos ajudou a pôr as malas enormes nos carrinhos, de seguir apressada, de procurar o pai e o pedro, de os ver, do pedro subir para rampa, dos abraços, do não saber o que dizer, do sebastião a ladrar, do sol, das pessoas na paragem de autocarro, dos prédios, do telefonema com a avó, da padaria portuguesa, do estranhar perceber tudo o que toda a gente dizia, do olhar para toda a gente a pensar que os podia conhecer, da A8, de chegar às Caldas, da mensagem da Filipa, da Deves Estar a Chegar, de chegar a casa e subir a correr, do caminho até à rua das montras, da chegada ao mr. Pizza e a Rita e a Raquel à minha espera, das conversas parvas, do estar a morrer de cansaço e sono e não querer sair dali, do voltar a pé para casa, do disco do Zambujo e o postal da Adriana, de como me deitei na minha cama a pensar em como tinha acordado em Trieste.

escrito a 11 de Maio de 2014.

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