ignore alien orders.

na madrugada de sexta, estava eu muito ocupada a acabar uma reportagem para um trabalho e eis que a minha timeline no facebook é invadida pelo orgulho caldense. o nosso liceu, a nossa ESRP, tinha feito história: era a primeira escola pública no ranking. já vinha ameaçando há uns anos, mas desta vez foi com tudo e agarrou o trono. ao espreitar os primeiros textos, vídeos e comentários sobre o facto, há logo uma coisa que salta à vista: ah e tal, somos uma escola diferente. eu sei que é um cliché, que todos dizem o mesmo e que há por ali muita mentira (há uma selecção para entrar no liceu, todos sabem disso). mas, permitam-me o orgulho inflamado, há ali muita verdade também. ficam os meus parabéns e bem-haja aos professores e funcionários que bem merecem a “distinção”. e um granda high five aos colegas com quem passei três bonitos anos. #sdds dos intervalos passados nos spots do lh2, das semanas raul proença em que não se passava nada mas tudo acontecia, das aulas de ef em que havia jogo, das tardes no núcleo de cinema… de tanta coisa.

o ano passado voltei ao liceu (sim, liceu. nas caldas é assim, há a técnica – a bordalo pinheiro – e o liceu – a raul proença – coisas da história que vai ficando) com a catarina, a rita e a raquel para uma noite que já é tradição: o concurso de bandas. todos os anos, no polivalente, há uma noite de homenagem a quem naquela escola se dedica à música. foi ali que toquei pela última vez com a catarina, a fedra, a inês e o luis (ou, “com a minha banda”, mas ainda não se passou tempo suficiente para eu perder a vergonha de dizer isso). comentámos, aquando o nosso regresso, como só ali naquela escola há ambiente propício a que estas coisas aconteçam. vão os fuzz ser alternativos sem problema ao lado do rapaz de cabelo até aos calcanhares que vai grunhir para o microfone durante 7 minutos, antes de subirem ao palco os putos do 7º ano a tocar dois acordes e gritar o seu amor por pipocas. vai tudo, e tudo é aplaudido por um polivalente cheio de amigos, curiosos, professores e funcionários. não é perfeito, mas é muito mais convidativo e acolhedor do que muitos outros liceus, disso tenho a certeza.

gosto de ir espalhando o #caldasrepresent. por aqui já o fiz quando vos falei do stereossauro no terreiro do paço, da exposição, dos los waves e dos memória de peixe no bons sons. mas há mais do que boa música a ser feita “na minha terra”. há esta categoria de escola, há a ESAD e o seu já aclamado caldas late night, há o (very enfadonho) josé malhoa, a pontaria humorística do bordalo – ou melhor, a fábrica de loiças do senhor… há tanta coisa. há um centro da juventude com aulas de música para todos, um projecto de apoio às bandas locais (major props para o padrinho mais fixe!), uma escola de hotelaria e turismo, um skatepark com um ambiente brutal, uma cena hardcore de fazer inveja a muitas outras cidades de maior dimensão, o parqe – que finalmente pôs a cidade no mapa -, o único mercado ao ar livre diário de todo o país (que recentemente voltou à praça a que pertence!), a maior lagoa natural da europa, o atlântico mesmo ali ao lado, um hospital termal que cheira mal mas pelo qual nutrimos muito carinho ainda assim, um parque e uma mata que mereciam ser mais bem tratados, uma sala de espectáculos de excelentes condições que devia ser mais bem aproveitada, um grupo de teatro de grande categoria, um clube que por um ano foi casa de um miúdo chamado josé mourinho, o 16 de março… estou a esquecer-me de coisas. mas the point is: somos muito mais do que aquilo que as pessoas se lembram logo, sempre que se fala nas caldas. até porque cavacas e beijinhos não sabem a nada e dizem que os de pombal são melhores. não, mas a sério, a loiça em formatos mais ou menos ordinários é tradição da qual nos orgulhamos igualmente, mas não nos diminuam, não façam de nós só isso.

hoje, os beatbombers estão de volta ao IDA, onde se sagraram campeões do mundo há 4 anos. o eduardo morais vai espalhando pinta por onde passa com um documentário que dizem ser de grande categoria sobre esse monstro da rádio que foi antónio sérgio. e eu fico aqui a tentar dizer ao mundo que da minha terriola sai muita gente fixe com muita coisa fixe a dar ao mundo.

e, já agora, sim, é a cidade mais bonita do universo sem sequer precisar de ser grande coisa. é a minha cidade. e eu sou capaz de estar com uma boa dose de saudades dela enquanto escrevo isto. ou dela, ou de um pampilho da pingo de mel. acho que já não sei diferenciar.

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