venezia

(ou “a Teresa vai finalmente a Itália depois de 19 dias na Áustria-Hungria)

Toda a gente já ouviu falar de Veneza. O carnaval, os canais, as gôndolas, isso tudo. E toda a gente tanto já ouviu dizer que é magnífico como que não é nada de especial. Deixem-me então dizer que não é um nem outro. E não, não cheira mal.

Assim que saímos da estação levamos com uma vista que até resume bem o que acabamos por ver durante o resto do dia: um canal, gôndolas e barcos, uma ponte; do outro lado, prédios pequenos e às cores, com uma igreja ao centro; e pessoas, muitas pessoas em todo o lado.
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Eram 10 da manhã e fazia um frio horrível. O nosso guia foi um rapaz da ESN Veneza que nos começou por explicar vagamente a história da cidade e uma regra de ouro: os turistas devem andar sempre pela direita, que os italianos precisam de passar. Começámos pelo Gheto Novo, um dos três bairros onde os judeus foram forçados a viver no séc XV. Ainda hoje é maioritariamente ocupado por judeus e é também a zona com os prédios mais altos da cidade, uma vez que não era permitido construir novos prédios, era preciso acrescentar andares aos prédios.
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(no dialecto de Veneza rua é “cale”, em vez de Via, e praça é “campo”, em vez de Piaza)
Mais uma ponte, mais um canal, mais uma rua estreita e chegamos a um dos muitos sítios onde podemos apanhar uma gôndola para atravessar o Canal Grande. É o canal mais largo da cidade e só há 4 pontes para o atravessar, por isso podemos apanhar uma gôndola e atravessá-lo por 2€. Dura cerca de um minuto e vão 10 pessoas em cada. Como disse o guia: “It’s not much, but at least you can say you were on a gondola in Venice”. Sim, porque os outros passeios de gôndola são para ricos: meia hora fica a 40€ por pessoa, uma hora a 80€.
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Depois do almoço tivemos uns minutos para visitar a ponte mais famosa de Veneza. Chama-se Rialto e tem lojas dentro da ponte. Não dá é para perceber porque está sempre cheia de turistas.
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Seguimos para a mais famosa praça de Veneza e a única que não se chama “campo”, a Piaza S. Marco. Depois de algumas explicações do guia, que não consegui ouvir porque um grupo de turistas se pôs a cantar em coro ao meu lado, tivemos direito a duas horas de passeio livre.
Nós começámos pela Basílica de S. Marco. Para além de não ter nada a ver com nenhuma basílica, catedral ou igreja a que já fui, visitá-lá com dois turcos (de cultura muçulmana, portanto) e uma romena (de cultura ortodoxa, pois) só tornou a visita mais interessante. Fiz o melhor como única representante católica. Não podíamos tirar fotografias, mas eu tento explicar: em vez de quadros e estátuas, todo o tecto, todas as arcadas e partes das paredes estão cobertas em mosaico de ouro, com gravuras de episódios da Biblía. É enorme, mas só podemos ver 10%, o resto paga-se. 2€ aqui, 5€ ali e mais uns 3€ para subir umas escadas. E não deixa de ser engraçado que mesmo aqui, em Veneza, há uma caixinha à saída a pedir contribuições para ajudar no restauro da basílica.
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E do outro lado da praça, em frente da basílica, o que é que se vê? isto:
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Seguimos pela ponte dos suspiros que aparentemente toda a gente acha que é muito romântica mas que na realidade era o último sítio por onde passavam os condenados antes de entrarem na prisão, daí o nome dos suspiros. E continuamos… A certa altura a Florina encontra um estúdio de um pintor e mete conversa. Ele acaba por fazer-lhe um quadro no momento e oferece-lho. Quando disse que era de Portugal ele fez uma festa. Esteve lá quando tinha 32 anos, foi ao Porto e a Lisboa, antes de seguir para Caracas. E a filha esteve em Aljezur (“Alque… Algéqur?…”) este verão. Sabe um bocadinho de cada língua mas de português só sabia “Abrigada”. A certa altura encontrámos o Museu da Música, que é numa igreja, e que tinha uma exposição gratuita chamada “Vivaldi e il Suo Tempo”, mas que não era nada de especial.

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Depois de nos encontrarmos de novo com o grupo seguimos para uma esplanada para o habitual “Aperitivo”. O caminho para a estação de comboios fez-se já meio de noite, a planear voltar e ver tudo o que ficou para ver, com mais calma.

É uma cidade bonita, sim, mas é sempre igual. E tirando a Piaza S. Marco e os bairros judeus não há coisas com história, que queiras perceber o que significam ou porque estão ali. Mas não deixa de valer a pena visitar, mesmo que esteja frio e chuva.

E agora? Agora faltam 20 dias para a viagem à Eslovénia! 🙂

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One thought on “venezia

  1. Uau, grande reportagem. Mas dentro daqueles «palazzos» também há muita história….. Quando estiveres para isso, vê o filme Morte em Veneza (Visconti), que é um dos meus filmes de sempre. E, já agora (eis uma expressão cujo significado deve ser um desafio explicar aos teus colegas…), procura no Google Veneza vista pelo Turner (um dos meus pintores de sempre). E obrigado pelas maiúsculas…. Beijooos!

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