the portuguese angry mob

não era grande coisa. era só ir a Braga ver os Kaiser Chiefs e voltar de madrugada.

pois.

acordar às 6 da manhã. 5 horas de sono. banho, pequeno-almoço, ultimas preparações. tinha tudo o que precisava. às 7h46 partia um 758 da rotunda. entrei no autocarro às 7h42. quando partiu, avisei a Susana, que entrava na paragem a seguir. assim foi. sete rios ainda uns 20min antes do derradeiro Expresso. às 8h20, já estávamos no lugar 1 e 2 do dito. arrancámos.

380km. 5h30 de viagem. fez-se muito bem, sempre na conversa. como assim 5h30 na conversa? é o que dá ter gostos musicais parecidos. parámos em fátima, estava a chover. em coimbra já não. o porto estava, como sempre, lindo. em famalicão já não tinha posição para descansar os músculos. 14h, braga. esticar as pernas, comer e beber. notícias da outra metade do gangue: a Andreia e a Jéssica tinham acabado de chegar de comboio e preparavam-se para chamar um táxi. passavam pela rodoviária e apanhavam-nos. óptimo. assim foi.

o estádio do braga é mesmo giro.
fomos directas ao portão do enterro. a Andreia é capaz de fazer amizades espontâneas com seguranças. aquele disse logo que ia tratar de saber se “a banda” já tinha chegada. trouxe-nos o motorista, que achava que o ricky se chamava matt. mas que nos disse que estava de os ir buscar ao porto às 15h30, portanto, que só chegavam lá para as 16h30. a Andreia lá conseguiu convence-lo a falar-lhes de nós, para que falassem connosco. a sério, ela tem mesmo talento para a arte-de-convencer-pessoas-que-trabalham-em-concertos-a-ajudarem-nos. como percebemos que não fazíamos grande coisa ali ao vento (ainda estava só uma ligeira brisa polar, o sol ia safando a cena), procurámos abrigo.

um café. ahhh tão bom e inesperado. um bocadinho de conversa e comida, sempre atentas ao twitter, não fossem os rapazes dizer alguma coisa. e disseram. quer dizer, o simon postou um vine do ricky a tirar uma toalha de uma mesa sem que a garrafa de plástico caísse. palmas. escolhemos os nossos cartazes do Peanut, que a Susana fez. a ideia era que cada uma tivesse um, para levantarmos na Modern Way. todos eles diziam apenas e só “PEANUT!”. genial. mas mais genial ainda era mostrar os cartazes quando eles chegassem para o soundcheck. ah! é mesmo isso.

por volta das 16h, seguimos para o portão outra vez. já havia mais nuvens a ajudar a brisa polar, mas quando o sol espreitava dava para tirar o casaquinho. exacto, tempo bom para constipações. de cartaz por perto e máquina fotográfica no bolso, abancamos ali assim. cada vez que vinha um carro ou carrinha o nosso coração lá encolhia um pouquinho. deu para tirar uma foto fofinha, olhem só:

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passava pouco das 16h30 quando chegaram duas carrinhas da mercedes. uma cinzenta, à frente, outra branca. levantar à pressa, agarrar no cartaz. “PEANUT! PEANUT! PEANUT!” foi o coro que se ouviu. na primeira carrinha vinha o ricky sozinho, que sorriu e disse adeus. na outra, do nosso lado vinha o simon, que se riu muito, e o peanut, que não percebeu o que se estava a passar. estava a olhar para o telemóvel e levantou a cabeça assim meio espantado. ficámos um bocadinho decepcionadas com a reacção do nosso chosen one.

chosen one. acabei de inventar esta expressão aplicada ao peanut. continuando. ficámos um pouquito desanimadas mas não desistimos. a Andreia voltou à carga pouco depois. ali ao pé do portão – para que ele ficasse aberto – pedimos para entrar, ou que os chamassem. disseram que sim, que lhes iam dizer que estávamos ali à espera deles. pouco depois, enquanto ainda fangirlávamos com a chegada deles, avistamos o peanut. de máquina fotográfica (uma 5d, meu deus) ao ombro, óculos escuros e t-shirt de public enemy. e boina, pois, claro.

levantámos os cartazes e ele tirou-nos foto. ou seja, daqui a uns meses (?) estamos no flickr do peanut. que honra, senhores. veio falar connosco. tirámos foto com ele. ele foi super querido e fofo e adorável. assinou os cartazes de cada uma e ainda assinou a bandeira da Jéssica (que reconheceu do Marés!)

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sei que ainda houve tempo de falar do clima, de músicas novas e da viagem que fizemos para os ver ali. ahh, e fotografou as tatuagens da Andreia! apenas brutal. quando se foi embora (depois de dizer ‘thank you’ umas 300 mil vezes) prometeu que ia dizer aos outros para virem falar connosco. promessa de Peanut é promessa de Peanut.

esperançadas com a vinda do Peanut (o efeito peanut é forte, garanto), ficámos por lá. entretanto, começou o soundcheck. ouvimos a ruby e a like it too much ainda sem chuva. depois ouvimos as novas: bows and arrows e you got the nerve de capuz, gabardine e debaixo de guardas-chuva. a chuva lá foi embora, mas os kaiser fizeram o soundcheck mais longo de sempre. deu para a chuva parar e voltar. desta vez, o segurança teve pena e deixou-nos ir para debaixo da ‘tenda’ deles, mesmo à entrada do recinto.

lembro-me de conversarmos com um dos seguranças sobre os adeptos do vitória de guimarães, e do estádio do paços de ferreira. excelentes temas de conversa, como devem imaginar. ainda estávamos abrigadas quando as carrinhas voltaram a passar. eles lá foram. o ricky disse adeus a sorrir tipo político acabado de ser eleito. o simon ria-se a comer uma maçã, o vj the drummer estava de olhos postos no telemóvel e o peanut foi super adorável e disse adeus durante imenso tempo (segundo a Jéssica, ainda se virou para trás e disse adeus até sair de vista). whitey nem vê-lo, claro.

um bocadinho abaladas pela chuva e pelo abandono dos kaiser, voltámos para o abrigo do café. lá dentro, havia tardes da júlia com detector de mentiras. deu para rir um bom bocado. o resto do tempo rimos com as figuras da Andreia. ahhh a magia de uma máquina que filma. ainda deu para carregar o telemóvel. comi uma bifana para deixar a outra sandes que tinha para o pequeno-almoço de sábado. achei que estava a ser espera. um hum.

lá para as 20h e picos, a última ida à não tão bela wc do café, e mais uma visita aos portões do enterro. começou a parte mais dolorosa da noite. bem, pelo menos psicologicamente. espera e espera e espera até às 22h. e, embora já não tenha havido grande chuva, a brisa polar tornou-se permanente. lá fizeram as filas de grades. lá nos dividimos. às tantas disseram-nos que comida e água não entravam. lá se foi a comidinha que tinha guardado. oops. às 22h (acho, já não estava com grande atenção às horas) começaram a deixar entrar. as senhoras foram umas chatas com as mochilas. o que vale é que não foi preciso correr. fui a última a despachar-me da revista intensiva. como a entrada era ao lado do palco, havia uma separação que se tinha de contornar para lá chegar. dei a volta e o que vejo? palco, grade, tudo vazio, a Andreia, a Susana e a Jéssica mesmo na parte central. epá, afinal… foi fácil.

pouco a pouco a grade foi ficando composta. chegaram duas raparigas que meteram conversa e, quando começou a tuna a tocar, nos explicaram o porquê de aquilo ser tão mau. e de trajarem todos mal e porcamente. nah, não gostei da tuna. logo logo a seguir (estava tudo a rolar a horas, e as mudanças de palco foram rápidas, nem queria acreditar) vieram os glockenwise. foi bom, tiveram muitos problemas técnicos, mas foi bom. sempre tudo muito igual, mas pronto. fizeram questão de fazer um encore, o que é estranho porque ninguém os chamou, todos achavam que já tinha acabado o concerto…

porque estava tudo a horas, os kaiser decidiram atrasar. é da maneira que as críticas ao concerto não abusam do cliché da pontualidade britânica. yesssss. enfim. à uma da manhã, lá se ouviu o another brick in the wall pt. II (ehehe i see what you did there!) e os meninos entraram. thank you very much para abrir em grande e a habitual ‘ronda de reconhecimento’. que é o que eu chamo aos primeiros momentos em que eles percebem que há cartazes/bandeiras na primeira fila. ora, o ricky logo viu o cartaz da Andreia a pedir a pandeireta, e começou a brincadeira que ele tão bem faz. óbvio que o concerto foi lindo e maravilhoso. houve like it too much e heat dies down. e a nova bows and arrows. e na modern way a Jéssica e a Susana conseguiram levantar os cartazes do PEANUT! e ele tirou foto! a setlist foi igualizinha ao que já esperava. muito muito muito bom.

mas infelizmente, nem tudo foi excelente. público a mais, moche a mais, segurança a menos. nunca na vida tinha tido falta de ar num concerto – e já estive em primeiras filas de metallica, maiden, machine head ou megadeth… e no pit em slayer e afins – nunca nunca tinha tido as minhas costelas esmagadas contra a grade sem me conseguir mexer e a mal conseguir respirar. é um sentimento que não recomendo. com isto, havia imensa gente a sentir-se mal, especialmente a partir do meio do concerto, mais ou menos. a coisa começou a descambar. juntar isto aos imensos putos bêbados a fazer crowdsurf e à falta de seguranças (TRÊS. teve de ir um segurança dos kaiser ajudar), é a receita para a desgraça. uma rapariga saiu desmaiada do meio do público, e um rapaz vinha de crowdsurf e não havia ninguém para lhe aparar a queda. ia de cabeça direitinha ao chão se não fosse o ricky lá ajudá-lo. coisas que eles obviamente não gostam de ver.

no final, a Jéssica teve uma baqueta do vj the drummer – conforme lhe fora prometido via twitter – e a Andreia teve a sua pandeireta. isto antes de ter de sair da primeira fila. houve momentos de aflição, mas, felizmente, nada mais que isso. quando conseguimos sair, fomos ainda tentar vê-los sair. vimos o ricky com cara de poucos amigos. ficámos na esplanada do café até pedirmos táxi para a estação de comboios.

doía-me tudo. doía-me a respirar. as costelas. tudo. só queria a minha cama. depois lembrava-me de que faltavam 2h para o autocarro e depois 5h até casa. e ficava de mau humor. só queria dormir. doía-me mesmo tudo. mas depois lembrava-me do peanut e a coisa melhorava. e o sorriso do whitey, que me fazia odiá-lo ao mesmo tempo. cenas. enfim.

estação de comboios a 15min de abrir portas. filinha. às 4h05, finalmente o quentinho da sala de espera. depois de 20min ao quente, mais um táxi até à rodoviária. assim que chegamos, abrem as portas, excelente timming. pena estar frio em todo o lado. um pouco antes das 5h já estava sentada no autocarro. nem me lembro de sair de braga. acordei quando parámos no porto, porque o senhor falou ao microfone. não me lembro de sair do porto. depois acordei em fátima, já com alguém sentado ao meu lado. não me lembro de sair de fátima. acordei a entrar na rodoviária de sete rios. tive de esforçar-me para manter os olhos abertos. o 746 chegou passado pouco tempo e deu para irmos sentadas. assim que cheguei a casa, eram umas 10h30, meti-me na cama. acordei às 18h30 e fui comer chocapic.

no dia seguinte, contei 11 nódoas negras.

se tudo correr bem, em Julho há mais.

um grande obrigada à Susana, à Jéssica e à Andreia pelo magnífico dia! 🙂

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