there’s nothing wrong with us

A primeira vez que vi o David Fonseca ao vivo foi a 14 de Maio de 2008. Conhecia muito poucas canções dele… havia aquela dos assobios que passava imenso na rádio, a outra do anúncio da vodafone de há uns anos e aquela balada que toda a gente conhece quer queira quer não.

É difícil esquecer essa noite. Nem é porque “aaah, ninguém esquece o primeiro concerto”. Nada disso. Quer dizer, eu na altura nem fazia intenção de o ver outra vez. O 14 de Maio é a véspera do feriado municipal da minha terra, naquela noite há sempre um concerto. E estar presente já é quase que tradição. Seja o David Fonseca, o Tony Carreira ou a banda de baile ali da esquina. Não foi nenhum sonho tornado realidade nem coisa que se pareça. O que me marcou nessa noite foi uma coisa muito simples. Foi uma canção. Chama-se ‘Adeus, Não Afastes os Teus Olhos dos Meus’ e, para quem não conhece, é uma música que começa muito calminha mas que vai ganhando intensidade – tal como a letra. E foi exactamente no início dessa canção que começou a chover. Nada de especial, era uma chuva muito murcha. Só que a chuva parece que se foi deixando levar com a canção, e quando esta chegou à parte mais intensa, já chovia a potes. O mais brutal de tudo isto foi que ninguém saiu de onde estava. Todos nós, na plateia, e todos eles, no palco. Todos apanhámos uma molha brutal. Mas continuámos.

No final da canção, parou de chover.

Uns dias mais tarde encontrei o blogue do David e vi o que ele escreveu sobre o assunto:

“Dois dias depois, tudo indicava que seria um concerto sem precipitação em Caldas da Rainha. No entanto, durante o tema “Adeus, Não Afastes Os Teus Olhos Dos Meus”, a chuva começou a cair de forma drástica. O momento foi complicado mas, ao mesmo tempo, maravilhoso. Milhares de pessoas decidiram ficar e fazer uma festa espontânea, transformando o momento e a canção em algo nunca visto. De todas as coisas que presenciei de cima do palco, esta foi uma das mais incríveis. Mais uma vez, o meu grande obrigado a todos. Por tudo.”

Em Março de 2012 estava eu na Fnac do Colombo para a apresentação do novo disco do David. No final do showcase lá fui falar com ele, ele lá perguntou de onde era e, quando disse ‘Caldas da Rainha’ ele perguntou logo se estava lá naquela noite. Inesquecível, mesmo.

Ora, Maio de 2008 foi há 5 anos. Por incrível que pareça. É que, este fim-de-semana, vi o David celebrar 10 anos de carreira a solo no Coliseu. E pus-me a fazer contas… Como assim eu já acompanho a David há 5 anos. Como assim estive presente em metade da sua carreira a solo? Mas. Hãããn?!

Parece que sim.

E que 5 anos! Até hoje, foram 14 concertos. O máximo que fiz foram 420km para o ver. Not much, né. E ao longo desses anos fui conhecendo pessoas fantásticas, com as quais criei laços de amizade daqueles. Pus-me sozinha num comboio para Aveiro, em 2011, para ir ter com duas pessoas que conhecia apenas das interwebz. O que é que eu ia fazer a Aveiro? ver o David, pois está claro.

No Coliseu lembrei-me disto tudo. E apercebi-me do quanto a minha vida mudou desde aquele 14 de Maio. De como já me habituei a ter sempre um concerto do David marcado na agenda e de como essas tardes e noites me deixam. No Coliseu foram mais de 2h de pura alegria, foram momentos que nunca esquecerei, e em que me fartei de ter flashbacks…

Só sei que a minha vida sem a música deste senhor não fazia sentido. E só lhe tenho a agradecer, por tudo.

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